Emoção em Preto e Branco
ABC 1×0 América, o jogo da minha vida.
Não tem como falar de momentos de forte emoção sem falar do jogo ABC 2×1 Bragantino. Pra qualquer torcedor aquele foi o ápice, foi a maior explosão de alegria que um alvinegro poderia sentir. Porém, pra mim, nada se compara ao jogo ABC 1×0 América de 1999, jogo que nos deu o tri-campeonato com um gol contra do zagueiro Marcelo Fernandes. Foi esse o último jogo que tive o prazer de assistir com a presença da minha família e, em especial, do meu pai. Foi um momento marcante, não pela importância do jogo ou pela alegria coletiva que contagiava a Frasqueira em ver o Mais Querido conquistar um tri-campeonato de forma tão aguerrida, o que me marcou naquele jogo foi um sentimento individual, um sentimento que até hoje ainda sinto como se estivesse acontecendo… foi a última vez que, depois de um gol do ABC, eu tive o prazer de abraçar meu pai e com ele comemorar um titulo do Mais Querido dentro do estádio. Ele, que me ensinou a torcer pelo ABC, que me ensinou que o maior lazer de um brasileiro apaixonado por futebol é entrar no estádio, hoje não pode mais fazer isso, pois se sente ameaçado pela violência que tomou conta das praças esportivas.
(Thiago Silva)
É Paixão, é um Caso de Amor, que não sei explicar, Salve o Mais Querido.
Acordei essa manhã com algo que verberava em minha mente. Algo que parecia ter estado comigo pela noite inteira. Num grito único ecoava.
Saí de casa, devidamente trajado: Bandana, Camisa, Bandeira, tudo em alvinegro e com meu pavilhão estampado. Ainda o grito ecoava e brincava na minha imaginação ao lado da visão prodigiosa de um belo arco-íris, na janela ao lado, a Via Costeira. Tal visão me contempla ao chegar ao estádio, dezoito mil pessoas entoavam o que da minha cabeça não saía. Bandeiras, balões, famílias.
Começa a partida de um jogo que não prometia grandes feitos, pois com todo respeito ao grande Galo do Seridó, que não menos de uma vez calou grandes estádios, o andar da carruagem condizia com o passado em terras Caicoenses.
Com sofreguidão vi, aos nove minutos da primeira etapa, um aguerrido camisa nove caicoense abrir o placar com um chute digno apenas da beleza do arco-íris dantes visto, forquilha. Vi o que há muito não via, vi meu ataque parar nas mãos milagrosas do goleiro adversário no chute dentro da pequena área. E vi, nesta mesma baliza, cinco da etapa derradeira, as esperanças do adversário aumentarem, 2×0 Corintians.
Os ataques se seguiam e o esperado gol não vinha. A frasqueira já apreensiva viu Edson, aos 19, de uma bola vinda do esquinado, colocar os pingos nos is e explodir o Maria Lamas Farache.
A vitória não veio, nem o empate, alguns saíram de lá chateados, outros eufóricos, eu apenas com a certeza de missão cumprida, pois na festa que preparamos o Show já estava dado. Aos insatisfeitos com a não coroação no último jogo houve apenas uma consolação, uma emissora em Rede Nacional que dizia: ABC de Natal, Campeão Potiguar de 2010, 51º primeiro título e MAIOR CAMPEÃO ESTADUAL DO BRASIL.
E aquele grito ecoa ainda na minha memória: Meu coração com muito amor, O ABC o mais querido do Brasil…
(Danilo Fagno)
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