Biografia
Noé nasceu em Maricá (RJ), no dia 1 de novembro de 1951. Iniciou sua trajetória no futebol carioca, onde defendeu a Portuguesa da Ilha do Governador. Seu futebol elétrico, repleto de dribles rápidos e pique incansável chamou a atenção de olheiros do Nordeste. Em 1975, transferiu-se para o ABC de Natal, cidade que adotaria como lar e onde escreveria suas páginas mais bonitas no esporte.
Ao chegar ao Mais Querido, Noé Soares rapidamente caiu nas graças da torcida. Seu estilo de jogo irrequieto, parecendo estar em todos os lugares do campo ao mesmo tempo, rendeu-lhe o apelido de Noé Macunaíma (em referência ao clássico e folclórico personagem sem caráter definido da literatura brasileira, devido à sua astúcia e malandragem saudável em campo).
Ao longo de incríveis 11 temporadas consecutivas (1975–1985), ele foi titular absoluto em elencos memoráveis. Sua facilidade para atuar tanto servindo os companheiros quanto infiltrando-se na área rival o transformou em um terror para as defesas adversárias, especialmente no Clássico-Rei, contra o América/RN.
O momento mais folclórico e célebre da biografia de Noé Soares aconteceu no dia 4 de julho de 1979. Em um amistoso festivo contra o Vasco da Gama/RJ, o astro da Seleção Brasileira Roberto Rivellino vestiu a camisa do ABC apenas durante o primeiro tempo. No intervalo, o treinador substituiu a superestrela mundial por Noé Soares. Noé não se intimidou: entrou em campo na segunda etapa e marcou o inesquecível gol de empate por 1 a 1, eternizando seu nome na crônica esportiva nacional.
Pelo Alvinegro Potiguar, Noé Soares acumulou conquistas expressivas que o consolidaram no panteão dos ídolos:
Títulos: 4 vezes Campeão do Campeonato Potiguar (1976, 1978, 1983 e 1984).
Gols: anotou 71 gols, marca que o coloca na lista seleta dos maiores artilheiros de todos os tempos do clube.
Jogos: estima-se que tenha superado a barreira das 300 partidas, embora a contagem exata daquela época careça de fichas catalogadas.
Noé despediu-se dos gramados pelo ABC em 1985. Ao contrário de atletas que rodam por dezenas de equipes, sua fidelidade de mais de uma década ao Alvinegro moldou o seu legado. Em 2016, a diretoria do ABC realizou uma grande solenidade no Estádio Frasqueirão para homenageá-lo formalmente, entregando placas e registrando para as novas gerações a importância de Noé Macunaíma para a instituição. Ele segue sendo lembrado com profunda saudade e carinho pelos torcedores que tiveram o privilégio de vê-lo jogar no antigo Estádio Castelão (Machadão).
*As informações apresentadas estão em constante processo de apuração e poderão ser atualizadas a qualquer momento, em razão da limitada disponibilidade e da divergência de registros e fontes históricas da época.



